sexta-feira, 4 de novembro de 2011








Tacula

Pterocarpus Tinctorius Welw.

Pterocarpus é um género botânico pertencente à família Fabaceae na qual se produz umas 15 espécies.Uma árvore bastante elevada que se encontra em Angola também conhecida pelos negros mais geralmente como takula, lucula, hula, mukula, nkula, n’gula, kisese, mongola e em pungo andongo de muangue e a serragem ou pó chamado de tukula. No Brasil é conhecido como pau-sangue, pau-sangue-casca-fina; sangue-de-galo; folha-miúda, sangueiro; mututi-branco. Etimologicamente o nome genérico Pterocarpus vem do grego ptero (asa) e carpus (fruto), alusão ao fruto alado, levado pelo vento. As árvores maiores atingem dimensões próximas a 30 m de altura e 100 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta. A madeira da tacula é vermelha ou esbranquiçada com veios vermelhos, sendo de muita boa qualidade e procurada para trabalhos de marcenaria.

Os negros de Angola sempre fizeram um comércio ativo deste pau, transportando-o em bocados ou achas para grandes distâncias; e é raro o mercado ou quitanda onde não os encontra à venda. A tacula foi talvez um dos mais importantes artigos de comércio de angola. Esta madeira tem valores multi-propósito. Devido à sua resistência à água, é usado localmente para confecção de canoas e sua cor avermelhada é apreciada para escultura, mobiliário, cabos de facas, ferramentas, pentes tradicionais, bengalas e instrumentos musicais. A madeira tem uma elevada qualidade de ressonância, com amortecimento de vibrações de baixa, e ele serviu na República Democrática do Congo e do Gabão para fazer os grandes tambores, como tamtams de comunicação, de guerra, e xilofones. Ele é usado para o fundo e as laterais de violões. Devido à sua alta durabilidade, é uma madeira de excelente qualidade para carpintaria, construção, marcenaria exterior, pisos, escadas, dormentes, barcos, mas também para outros usos, tais como folheados , embutidos, mesas de bilhar, brinquedos, cadeira, tornozelos, canelas, bobinas, fusos, artigos esportivos e pás, é resistente a brocas marinhas, a madeira é usada em regiões de clima temperado para estruturas marinhas como molhes e comportas. No departamento de Herault, na França, tem sido usado há anos para a construção de rodas de água para irrigação. Eles também usam a madeira como combustível.

Na África de hoje, o corante extraído desta madeira é ainda usado para tingir tecidos vermelhos, fibras e adornos de vestuário, tais como fibras de ráfia. Na RD Congo, no antigo reino de Kuba à confluência do Kasai e Sankuru, corantes do famoso "Kasais Velvet" incluem vermelho com um tom mais roxo, obtidos pela combinação deste corante vermelho, é uma substância extremamente valiosa, o equivalente ocidental do ouro.. Na Ginga, por exemplo, fazem uma infusão do pó da tacula em um óleo, mergulhando aí o pano, durante alguns dias e secando-os depois ao sol. Dizem eles que assim preparados duram mais tempo e ficam mais frescos. Este preparo dá-lhes o aspecto de encerado e torna-os talvez impermeáveis, mas comunica-lhe um cheiro insuportável, devido ao óleo rançoso. Algumas tribos usam pintar as carapinhas com esta tinta, enquanto outras só pintam a pele. Outrora as elegantes de varias parte de Angola, costumavam em dias de festa , pintar os pés de vermelho, imitando sapatos. Explica-se a predileção por este ornato singular, pelo fato do calçado ser por aquelas regiões a suprema distinção, a ponto de um preto, depois de calçado, se intitular, gravemente, branco.

Uma pomada é preparada pela mistura do pó de madeira vermelha com óleo, e seu uso como um cosméticos é generalizada na RD Congo. As raízes podem ser preparadas e utilizados da mesma forma que a madeira, e proporcionar uma qualidade superior. A casca pulverizado misturado com óleo de palma também é usado como um creme cosmético. As folhas são consumidas como legumes cozidos.

Na medicina a madeira em pó, cozido com uma fatia de limão doce, é usado no Gabão para feridas e, misturado com óleo de palma, óleo de ráfia ou planta de manteiga (por exemplo sementes de Pierre Tieghemella africana) para tratar doenças de pele, micose e bouba (Doença tropical infecciosa da pele). A casca contém uma resina como kino ("Sangue do Dragão"), que é muito adstringentes e é usada na medicina veterinária tradicional para afastar parasitas da pele. No Gabão, essa resina é usada (geralmente em combinação com outras partes de plantas) como um enema para tratar a disenteria, gonorréia e contra dor de dente e excessiva menstruação. No Congo e África Central, bebe-se uma decocção da casca para tratar a dismenorréia, hemorragia uterina e hemorróidas. Raspando a superfície interna da casca é obtida uma polpa que é aplicado como um curativo molhado contra a inflamação, edema, hérnia, e os começos de panarício. É também usado contra a infecções brônquica-pulmonar, em porções ou banho de vapor das folhas e casca e muitos nativos a utilizam para aumentar a oferta de leite materno.

A pintura com o tacula devem ser sem nenhuma dúvida ligar, além das idéias de simples elegância, ornato, uma significação supersticiosa, para não dizer religiosa, o que se prova pelo fato destas pinturas serem usados nos atos principais da vida. A Tukula é usado para abençoar as pessoas como bebês recém-nascidos, grávidas, mães recentes, guerreiros, os doentes e os mortos etc Quando se previa que estava para dar à luz, chama-se o nganga Malázi. Este enchia uma pequena quinda - pequeno cesto - de pó de tukula, depois de rapado o cabelo da cabeça da parturiente, todo o corpo lhe era pintado com tukula. Apenas a mulher que acaba de dar à luz, e liberta dos principais trabalhos do parto, Malázi e Mamázi vestem-na com um pano tinto em tukula. Depois do banho irá a mulher para junto do fogo - deve haver sempre fogo ao lado do banho - onde se deitará, ora de costas ora de ventre para o fogo, tendo, ordinariamente, só urna pequena tanga. Se não tomarem estes calores ao fogo dizem que a pele do ventre ficará enrugada! A maior parte das mulheres pintava-se, outrora, com tukula depois do banho, bem como ao filho, também depois do banho respectivo.

Assim também as crianças são várias vezes pintadas por todo o corpo, logo à nascença, com a tukula extraída da raiz. Na cerimônia de apresentação tudo é preparado, Mbenza, Malazi e todos os outros curandeiros-feiticeiros entram na casa onde se encontra a mulher com o filho. Este é pintado com tukula e são-lhe amarrados vários fios e missangas à cinta, peito, pescoço, etc. Na testa, uma fita prende uma pena vermelha da cauda de um papagaio e uma outra de galinha do mato.

Os curandeiros-feiticeiros terminavam a sua acção dando à mãe da criança um Muana-Nkonde. Era um feitiço composto de uma pequenina cabeça que encerrava milho, tukula e giz. Quando a criança chorasse a mãe deveria abanar a cabeça para aninar o filho. Por isso, sempre que saía, levava o Muana-Nkonde pendente das costas e seguro à fita que, ordinariamente, trazia amarrada na cabeça.

Nas cerimônias de casamento ou alembamento, a tacula representa um papel importante; a noiva é encerrada durante oito dias, em uma cubata especial, ficando entregue aos cuidados do Nganga, ou de uma velha perita em tais casos, os quais iniciam a rapariga nos seus novos deveres e a põem completamente nua, untando-a com várias drogas e pintando-a com tucula. Em algumas partes a cubata especialmente destinadas a estas cerimônias ante-nupciais tem o nome da Casa da Tinta. Casa das Tintas é designação dada pelos europeus, E diz-se «das tintas» por que as pessoas que entram nessas casas, para os cerimoniais respectivos, pintam-se, durante todos os dias que lá passam, com tukula.

Como se consegue esse «pó» de tukula?

Friccionando dois paus de takula (sika tukula), um contra o outro, e tendo colocado entre eles uma areia branca especial - a nseka - com um pouco de água.

Essa qualidade de areia é tirada junto do nkisi-nsi. Quando a vão buscar levam dinheiro e aguardente para oferecerem ao nkisi-nsi (é o Kesumbí nseka - comprar a nseka).

Esses paus de tukula chamam-se lukunga (pl. zinkunga).

Fixa-se, o melhor que se pode, o pau debaixo que se chama MBULI; fricciona-se com o de cima. Este chama-se ISESE.

Acontece que, por vezes, os paus de tukula são mais duros e dificultam o trabalho. Nestes casos era chamado um velho nganga que, com aguardente, vinho tinto e vinho de palma, aspergia o local onde se trabalhava os paus de takula.

Enquanto se faz a tukula não é permitido pronunciar o nome das pessoas nem as palavras tukula, takula, kualama, etc. Isto provocaria mabilia ou mabasa, isto é, «pulsações do coração» pelas quais a rapariga desconfiaria do que lhe preparam e, portanto, facilitando-lhe uma fuga, o que não convém.

Nos ritos fúnebres, todos os dias e pelo meio dia um nganga pintava com tukula o cobertor superior que envolvia o cadáver. Este ato era anunciado a toda a aldeia pelo toque do ngongie - espécie de tímbalo de duas bocas. O bula-ngongie - tocador de ngongie - locava a 1. vez para avisar. A segunda ninguém se poderia mexer do lugar ou posição em que o toque o apanhasse, até terminar a pintadela de tukula anunciada por um outro toque.

Nos candomblés é utilizado em vários rituais, na construção de assentamentos de inkisi, nas pinturas sagradas da iniciação, principalmente na construção do kutunda com a função de transmitir o poder espiritual chamado nguzo e livrá-lo do infortúnio.

Salientamos ainda que muito embora os ritos bantu e yorubanos venham a se assemelhar em algum momento, os corantes utilizados pelos nagôs que se denomina osùn, ossun ou yerosun é retirado da planta “Baphia nitida Lodd.”, que é totalmente diferente, lembrando ainda que os nagôs utilizam em sua origem também o “Pterocarpus osun” mas este produz um corante amarelo.

• Bolza, E. & Keating, WG, 1972. Madeiras africano: as propriedades, usos e características de 700 espécies. Divisão da Building Research, CSIRO, Melbourne, Austrália. 710 p.

• Disengomoka, I., Delaveau, P. & Sengele, K., 1983. Plantas medicinais utilizadas para as doenças respiratórias da criança no Zaire. Parte 2. Journal of Ethnopharmacology 8: 265-277.

• Ficalho, Conde de. Plantas úteis da africa portuguesa, 1947. 2ª edição, Divisão de Publicações e Biblioteca – Agencia Geral das Colonias. Prefaciada e revista pelo Prof. Ruy Telles Palhinha.

• Welwitsh, Frederico. 1862. Synopse Explicativa das Amostras de Madeiras e Drogas Medicinaes e de Outros Outros Objetos Mormente Ethnographicos Coligidos na Província de Angola. Lisboa. Imprensa Nacional

• Martins, P. Joaquim.1972. Cabindas : história, crença, usos e costumes, C. S. Sp.. - Cabinda : Comissão de Turismo da Câmara Municipal de Cabinda, (Santa Maria de Lamas : Rios & Irmão, 1972. - 367 p.)

Pesquisado traduzido e adaptado por Sergio JITU (Jitu Mungongo)

AVALIAÇÃO:

Abordar o fenômeno religioso na pós modernidade é tocar numa questão que se reveste de maior complexidade, à medida que enfocamos os aspectos mais subjetivos desta nova religiosidade. Diante da enorme diversidade verificada na atualidade e das constantes transformações e adaptações ocorridas com o longo do tempo nos candomblés e em especial os de origem banto, se faz necessário uma constante troca de idéias quanto aos ritos, simbolos e doutrina para saber até onde se ajusta essa metamorfose. Como conciliar a espiritualidade dos ritos ao homem moderno? Já que convivemos com a banalização da fé e a mercantilização dos produtos, hora ditos sagrados que encontram-se nas prateleiras das casas do ramo covardemente “inventados”, “falsificados” e outros tantos “ados” que não convem citar. O sagrado passou a ser mercadoria comercializada como qualquer produto nas prateleiras do famoso “mercado do Paraguai” (chingling). Na contemporaneidade, a idéia é a facilidade, a praticidade, o imediatismo.

Face ao exposto, (Sobre a takula/tukula) pergunto:

1 – Quantos de nós, utilizam a verdadeira takula/tukula?

2 - Os ritos que praticamos, são meramente simbólicos?

3 – Quantos de nós, contestou junto aos “fornecedores” a pureza do corante?

4 – Seria “Utopia” resgatar a originalidade deste corante?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011




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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Famosa fava de ARIDAN

TETRAPLEURA TETRAPTERA

A Famosa fava de ARIDAN

A tetrapleura Tetráptera (Schumach. E Thonn) Taub, Mimosaceae, vulgarmente conhecida como Aridan (fruta), termo(Yorubá) no sudoeste da Nigéria também conhecida no Congo como, kiaka na língua (Akwa e Mbaamba), eyaka (Lingala), chiacha (Tsangui) sekeseke (Bira, Mbuti) akolongo (Azande) Angulu (África Central, provem de uma árvore robusta e perene de cerca de 30 m.de altura tem na cor um cinza / marrom, liso / casca áspera, A flor é amarela / rosa e branco, a fruta tem cor castanho escura, quatro frutos alados 12-25 x 3,5-6.5cm.It é geralmente encontrada na floresta de várzea da África tropical.

O fruto é constituído por uma polpa carnosa, com pequenas sementes marron/escuro. A fruta possui uma fragrância, caracteristicamente picante e odor aromático, o que é atribuído à sua propriedade repelente de insetos. É usado como especiarias e aroma (exóticos aromas tropicais) e envenenamento de peixes. É uma das plantas medicinais moluscicida, também é útil no tratamento de convulsões, hanseníase, inflamação e / ou dores reumatóide.

O documentados ou biológicas e atividades farmacológicas são encontrados para ser moluscicida, cardio-vascular, neuromuscular, hipotensor, anti-convulsivantes, tripanocida, hirudinicidal, controle de esquistossomose, anti-ulcerosa, ectoxico, antiinflamatório, hipoglicemiante, anti-microbiana , a propriedade emulsificante, controle de natalidade, o valor dos alimentos e controle de parasitas intestinais.

Todos os compostos isolados, a partir das frutas ou de outras partes foram encontrados para exibir fortes propriedades moluscicida contra a esquistossomose transmitidos pelos caramujos Biomphalaria glabrata que servem como hospedeiros intermediários (Coitado dos Ibí/Igbi/Igbiri)

Atividade anti-úlcera

Extratos obtidos a partir de T. tetraptera exibiram significativa atividade anti úlcera ethnomedical confirmando a sua utilização no tratamento de transtornos gastro-intestinais, especialmente das úlceras estomacais.

Atividade anti-microbiana

Alcoólicas e extratos de água de T. tetraptera inibiu o crescimento de Staphylococcus aureus (Salako et al., 1990). A actividade anti-microbiana desta planta tem sido explorada na formulação dos frutos secos em pó da planta. Assim, as ervas secas em pó foram formuladas em bases de sabão utilizando óleo de dendê, manteiga de karité e misturas das duas bases. Os sabonetes formulados foram avaliados para propriedades organolépticas e capacidade de formação de espuma. Sabonetes com a mistura das duas bases eram de melhor qualidade do que aqueles com a base individual. Incorporação de materiais vegetais em pó influenciou tanto a propriedade de formação de espuma e a dureza dos sabões. Com exceção da T. tetraptera pó de frutas que melhorou a capacidade de formação de espuma dos sabões (Adebayo et al. 2000), todas as ervas, incluindo Acalypha Wilkesiana, madagascariensis Harugana e exasperata Ficus deprimido a capacidade de formação de espuma dos sabões.

Atividade anticonvulsivante

Os extratos de T. tetraptera apresentaram atividade anticonvulsivante que pode ser ligado à sua capacidade de deprimir o sistema nervoso central (Akah e Nwambie, 1993).

O controle da natalidade

Os extratos de etanol e saponinas da haste-casca de T. tetraptera exercido um efeito inibitório sobre o hormônio luteinizante liberadas pelas células da hipófise (El Izzi et al., 1990), sugerindo sua utilização como um agente contraceptivo.

Atividade Nutritiva

A qualidade nutricional dos frutos secos de T. tetraptera usado como tempero, foi avaliada. A casca do fruto, polpa e sementes continha quantidades variadas de nutrientes, como proteínas, lipídios e minerais, que são comparáveis e alguns foram até mesmo superiores especiarias populares, tais como pimentão, cebola, curry e gengibre (Essien et al., 1994) . Na parte oriental da Nigéria, as frutas são usadas para preparar sopas para as mães a partir do primeiro dia da entrega para evitar a contração pós-parto (Nwawu e Akah, 1986). Ele é usado na preparação da sopa de pimenta em partes do sul da Nigéria. As frutas também contêm ácidos cinâmico, ácido caféico e carboidratos (Adesina, 1982).

Vale lembrar, ainda, que o fava-de-aridan (Tetrapleura tetraptera) combinado com outras plantas psicoativas, como a noz-moscada, (Myristica fragrans), dandá (Cyperus sp) orogbo (Garcinia kola), obi (Cola acuminata), reduzidas a pó é usado afastar maus fluidos, atrair forças benfazejas e em rituais de cura, no fechamento de corpo e na feitura de santo, por meio de cortes no peito, braço, costas, pés, testa e língua, onde é colocado o pó. Seria a pemba, o atim agindo como cicatrizante, Este pó, de uso tópico, resultante da combinação de plantas psicoativas, pode, por meio da interação dos componentes químicos dos vegetais empregados, fazer desencadear efeitos toxicológicos desconhecidos, de graus variáveis, no sistema nervoso central, ao atingir de imediato, a corrente sanguínea.

Esta planta ocupa espaço nos sistemas de crença afro-brasileiros, desempenhando papéis específicos, tais como nas comidas de santo, nas indicações terapêuticas e em outras situações ritualísticas.

Partindo da premissa de que as plantas exercem duplo papel dentro dos rituais, embora tais papéis sejam complementares, poderemos determiná-los da seguinte maneira:

1. em primeiro lugar, temos o papel sacral de valor simbólico correspondente a cada planta, o qual está preso a um universo mítico, resultante de um ato cosmogônico que, legitimado por meio de ritos próprios, faz detonar o axé, essa força vital com que Ossaim faz impregnar as folhas, caracterizando seu papel dentro dos rituais, cujo significado é compreendido pelos grupos religiosos. O papel sacral tem um conteúdo inexplicável, visto ser impossível, por mais que tentemos, dar expressão verbal a um bem imaterial que, pela própria natureza, está ligado a uma esfera onde a linguagem não tem espaço. Como é possível, com meras palavras, traduzir o mais íntimo de todos os atos que é o contato com o sagrado? Este papel não se explica, se sente.

2. em segundo lugar, temos o papel que a planta desempenha dentro do ritual, tendo em vista o valor intrínseco de cada uma delas, o qual podemos admitir que possa determinar em que situação ritualística ela pode se enquadrar. Exemplo das plantas psicoativas capazes de proporcionar estados alterados de consciência, propiciando condições ideais para o contato com o sagrado, em circunstâncias várias.

Texto traduzido e adaptado por Tata JITU MUNGONGO

Referências:

Jornal africano da tradicional, complementar e medicina alternativa, vol. 4, No. 1, 2007, pp. 4, No. 1, 2007, pp. 23-36 23-36

Adebayo, AS, Gbadamosi, IA and Adewunmi, CO (2000). Formulação de antimicrobianos ervas secas em bases de sabão em pó. Em. Fitomedicamentos em malária e doenças sexualmente transmissíveis: Desafios para o Novo Milênio. CO Adewunmi e SK Adesina eds. Obafemi Awolowo University, Ile-Ife. Obafemi Awolowo

Adewunmi, CO,Furu,P.,Marquis, BB, Fagbola, M. and Olatunji, OA (1990). Journal of Ethnopharmacology.30, 169-183.

Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo - As Folhas dos Ritos Afro-Brrasileiros e Seus Agentes Ativos, do ponto de vista Etnofarmacobotânico.

Fiquem em paz

JITU MUNGONGO

terça-feira, 5 de maio de 2009

RITOS FÚNEBRES BANTO (1)

A morte continua a ser um mistério. À sua volta existem muitas crenças. "Uma crença não é palpável. É algo imaterial que vive na mente das pessoas". A afirmação é do historiador, e não antropólogo como, às vezes, é referenciado pela Comunicação Social, Américo Kwononoka, que concedeu uma entrevista ao Dossier à volta do tema de hoje: o luto. Para este historiador, e também director do Museu de Antropologia, o luto não é a ostentação da roupa preta. É muito mais do que isso. Para o bantu, o luto é um processo que começa com a morte e é eterno, por ficar no coração e na mente das pessoas. Na crença bantu, acentuou Américo Kwononoka, os dois mundos convivem: o mundo dos viventes e o dos antepassados. Na sua opinião, o mundo dos mortos é o mais poderoso e tem mais força, porque está numa outra dimensão. "Os antepassados gostam de rituais condignos à sua dimensão". Ele, Américo Kwononoka, acredita, fazendo recurso à cultura bantu, que se os antepassados não forem bem venerados podem causar infortúnios às comunidades. Carolina da Silva Ribeiro em seu trabalho diz: “Para muitos, no Ocidente, a morte é entendida como término de um ciclo. Para os povos de origem bantu, a morte não é simplesmente o fim, mas a passagem de um ciclo para outro, a volta ao mundo dos espíritos. Mesmo encarada como trânsito, a morte não deixa de ser uma ruptura e, como tal, gera, quase sempre, dor e saudade produzidas pela partida de um familiar querido. Todavia, esse sofrimento é agravado e multiplicado quando o falecimento é provocado por causas que fogem à concepção de mundo dessas sociedades. Como lidar com a morte sem aviso, a morte abrupta, que priva a família dos rituais de preparação para a volta do morto ao mundo dos espíritos?...A morte, desde as civilizações mais antigas, é um acontecimento social. Junod (JUNOD, 1974: 132-33) informa que, entre os bantu, quando um chefe está para morrer, esse faz vir até ele seus familiares e conhecidos para trocarem com ele as últimas palavras. O moribundo aproveita a ocasião para cobrar suas dívidas e revelar onde estão escondidos seus tesouros. É interessante observar, como explicita Ariès (ARIÈS, 1977: 21), que o costume de se reunirem os familiares e amigos em torno do moribundo também foi comum na sociedade ocidental cristã até o começo do século XIX. O autor vê nesta familiaridade com a morte “uma forma de aceitação da ordem da natureza, aceitação ao mesmo tempo ingênua na vida quotidiana e sábia nas especulações astrológicas” (ARIÈS, 1977: 29). Para este autor, (...) com a morte, o homem se sujeitava a uma das grandes leis da espécie e não cogitava em evitá-la. Simplesmente a aceitava, apenas com a solenidade necessária para marcar a importância das grandes etapas que cada vida devia sempre transpor. Embora essas reflexões tenham sido feitas acerca de costumes do mundo ocidental cristão, pode-se atribuir também aos povos africanos esta familiaridade com a morte, tendo em vista a aceitação da ordem da natureza e o entendimento da morte como continuação da vida. Morrer representa a volta ao mundo dos espíritos, de onde todos vêm antes de nascer. É uma espécie de lei do eterno retorno, como escrevem Jorge Dias e Margot Dias (DIAS e DIAS, 1970: 159 Apud: CAVACAS, 2001:93) a respeito dos macondes, uma das etnias de Moçambique: O grupo familiar maconde não tem os limites da vida física; os seres humanos que o constituem vêm de outro mundo, impreciso e estranho, e após a morte continuam nesse outro mundo do além. Nem o que estava antes, nem o que vem depois, deixa de ser vida, se bem que uma vida um pouco diferente desta em que nos movemos. Na maioria das populações de origem bantu é um ritual muito comum dobrar os braços e pernas da pessoa que está morrendo, para que essa seja enterrada em posição fetal, parecendo estar agachada. Tal atitude tem duas explicações: uma é a de que a morte nada mais é que um novo nascimento, ou seja, o começo de uma nova vida; daí a posição semelhante à de um feto. A outra, mais aceita por Henrique Junod (JUNOD, 1974: 133), consiste na crença de que, ao morrer, o homem continua levando o mesmo tipo de vida que tinha antes, já que o túmulo, como explica esse autor a respeito da etnia dos tonga, “não é mais que uma palhota dentro da terra” e a posição em que os integrantes desse grupo étnico permanecem a maior parte do tempo em suas palhotas é a sentada, de cócoras.A maneira como uma pessoa é enterrada nessas sociedades africanas tradicionais é cercada de rituais e simbolismos. O morto, além de ser sepultado com os membros encolhidos, deve ter sua cabeça virada para o leste, ponto cardeal de onde acreditam terem vindo os antepassados, de forma que o falecido pareça olhar para este ponto. Junod (JUNOD, 1974: 163) vê nesses atos uma série de ritos de passagem, como se pode observar a seguir: A separação da vida terrestre é simbolizada, quanto ao defunto, pelo rito de abertura da parede da palhota, que tem por fim, parece, solenizar a partida oficial da antiga morada. Considero igualmente como rito de separação o costume de esburacar todo o vestuário e todas as esteiras do morto, a fim de deixar “soltarem o último suspiro”. Para efetuar a agregação do defunto ao mundo novo, os coveiros preparam-lhe uma palhota subterrânea, com uma praça pública, depõe-no sentado na sua nova morada (se tal é verdadeira explicação da flexão dos membros) e voltam-lhe os olhos na direcção donde vieram os antepassados. Depois dessas informações, não restam dúvidas de que a morte para as etnias africanas é uma passagem, todavia ela também tem um lado negativo. Junod explicita que para a etnia tonga a morte é um momento de impureza que se alastra por toda a família e pela aldeia. Após a morte de um ente toda a aldeia deve passar por um período de purificação, inclusive os parentes do morto que estão distantes, em locais afastados dali.Ernesto Arosio em “O homem do além” escreve: ...A morte, em todas as culturas, sempre foi e é um mistério, com repercussões diferentes para os sobreviventes. Para as sociedades ditas primitivas, ela é um fenômeno complexo e inexplicável e marca a vida individual dos parentes e da tribo. Nas sociedades tecnologicamente modernas como as nossas, especialmente nas grandes cidades, a morte se reduziu a um "fenômeno simples mas embaraçoso", um fato contra o qual não se pode lutar, mas asséptico; nas grandes cidades não se admitem mais os solenes ritos fúnebres, salvo em poucas ocasiões, como na morte de pessoas que foram importantes na vida social. Também estão desaparecendo as marcas externas da morte como os túmulos luxuosos, sinal mais de poder da família que de homenagem aos mortos.A morte e os vivosA morte não é o fim, mas uma passagem para algo desconhecido, mais ou menos duradouro ou até eterno, embora o conceito de eternidade tenha significado diferente para os vários povos. Em quase todas as culturas, a morte biológica não significa a morte social porque, de uma maneira ou outra, o finado continua a viver não somente na memória dos parentes ou da comunidade, mas a participar da vida deles. Lembramos os manes dos romanos, os ancestrais de muitas culturas africanas, da China e do Japão.A morte, nas suas interpretações e maneiras de celebrar os ritos, tem uma estreita relação com a concepção religiosa dos povos e ainda não se encontrou uma cultura que não desse valor ao ato misterioso da morte e suas conseqüências. Muitas culturas possuem até um livro dos mortos, onde se encontram conceitos, lendas, considerações sobre o espírito dos falecidos, suas peregrinações no além, a maneira de venerar os espíritos desencarnados.Difícil é descrever toda essa variedade de interpretação e de comportamento, mas podemos estabelecer algumas semelhanças e diferenças entre as várias culturas diante da morte.CULTURA BANTOA maioria da informação de Junod é sobre o comportamento ritual das viúvas. Qualquer sentimento delas, lhes exigem lamentar muito e por muito tempo. As ações delas são o centro da grande cerimônia de luto que começa com a iniciação ao estado de viúvas e por esses previamente enviuvada. Nesta iniciação a virilha esquerda da viúva é cortada. O sangue representa o marido e se flui, é considerado que relações livremente matrimoniais tinha sido boas. A viúva é exposta a fumaça de medicina e com a urina dela extingue o fogo. Agora, durante a última vez ela atravessa a cabana do marido dela como uma viúva. Durante os próximos cinco dias as viúvas são tratadas pelo mágico feiticeiro e vivem fora da aldeia. Alguns cronometram, depois há danças selvagens e lascivas quando as viúvas, são "descobertas pela morte do marido", as viúvas não participam dos ritos sexuais ordinários de limpeza, mas tem que seduzir um estranho em relacionamento e romper o ato seminem immissum. Senão o homem morrerá. As associações íntimas da viúva com o marido eram por sexo e ela tem que passar a contaminação de morte ao estranho em relacionamento ritual. Então depois de um medicamento preliminar ela pode começar vida com o homem que a herda.A impureza do rei violador explica que seu funeral às vezes veste as formas que parecem incompatível com a dignidade real. Ao Kwottos, o soberano é enterrado debaixo de um montão de lixo (Wilson-Haffenden, 1927-1928, p. 343) O Kwottos dizem que são enterrado debaixo de um montão de lixo, porque não podiam esperar ser honrado, depois de sua morte, tanto quanto tinha sido ele enquanto vivo. Antes da morte, está o mais elevado, igual ao mais humilde.). Na hora do funeral do Mugaba do Nkoles, os homens que acompanharam o corpo tinham o direito para agarrar e se apossar das bestas de qualquer rebanho: É recuperado aqui uma expressão da" depredação ritual ". As pessoas não podiam trabalhar; as lâminas de todas as armas tinham que ser envolvidas em ervas e fibras; até mesmo um machado para cortar madeira não podia ser usada, a madeira tinha que ser quebrada à mão (Roscoe, 1923 b, pp. 52-53). Ao Leles, para a morte do chefe, o Nyimi, os homens de seu clã dançavam e batiam nos tambores, mas não choravam por ele (o Douglas, 1963 têm, p. 200). O costume para também não chorar em cima de um morto se encontra na hora da morte de crianças anormalmente nascidas ou gêmeas e quando um circunciso apresentavam das continuações de seus danos. Por exemplo, o Bapérés de Congo não lamentavam uma criança morta durante a cerimônia da circuncisão (Moeller, 1936, p. 326; v. como Wagner, 1970, p. 357), morreu então em estado de impureza, porque era portador de uma ferida aberta (da mesma maneira ao Wogeos de Guiné Nova, a pessoa não lamenta a mulher morta no parto. Hogbin, 1970, p. 139). Por estes mesmos africanos, não deve ser tomado o cadáver de um chefe enquanto atravessando a porta da casa: um buraco é perfurado na parede para fazer passagem do corpo. O corpo é depositado em floresta em uma barreira (Moeller, 1936, p. 474). O chefe morto recebe então, ao Bapérés, o mesmo tratamento que a mulher morreu no parto ao Wogeos e ao Dogons (a este último não diz que a mulher morreu, mas que ela está perdida ". Calame-Griaule, 1965, pp. 372-373), ou a mãe de gêmeos ao Ibibioses. É que os chefes e estas mulheres inspiram o mesmo medo como argumento: as mulheres amedrontam por causa das hemorragias delas, da anormalidade dos partos conjuntos delas para a impureza da morte; o chefe amedronta da mesma maneira por causa de suas violações de tabu, sendo assim um perigo com expressões da natureza (chuva em excesso, sol torrencial, tempestades com raios e trovões, fogo nas plantações etc.).O BEMBAEnterroA sepultura: Vários parentes do defunto cavam a sepultura no cemitério (mupolo ou nshishi) que normalmente está bastante longe da aldeia. O local é normalmente escolhido perto dos bancos de um rio ou próximas árvores muito altas. Antes de começar a cavar a sepultura, os sério-cavadores imploram os espíritos que moram no cemitério ser bom a eles e lhes mostrar o favor. Então, eles fazem um oferecimento de uma pouca farinha e algumas fieira de pérolas. Só então eles começam a cavar. Quando o trabalho é completado, todos retornam para a aldeia.Levando o corpo: O cadáver é embrulhado em um tapete de cana que é amarrado a um poste grande (umutembo). O corpo é levado diretamente para o cemitério. Porém quando a pessoa morta for uma pessoa de autoridade, a procissão vai passando (ukumutandasha) ao longo da aldeia. Pessoas dão voltas para levar o corpo suspenso no poste, de dois em dois. Normalmente a viagem para o cemitério é longa. Cada tempo o cortejo pára para mudar os portadores e uma pouca farinha é espalhada. O cortejo é feito para cima do cadáver com portadores na frente seguida pela família, amigos e aldeões.O próprio enterro: Os restos mortais são enterrados por dois ou três parentes próximos e fazendo assim, é tomado muito cuidado. A cabeça do defunto tem que enfrentar o leste (do leste nossos antepassados tiveram a origem deles/delas). Todo o mundo que está presente dá um presente ao defunto na forma de uma conta, uma pouca farinha ou um 'concha ornamental' (mpande). Cada pessoa lança uma pequena terra na sepultura. A face do defunto é virada ao sul. Um buraco é feito no pano que cobre a cabeça de forma que a pessoa pode ouvir as orações e súplicas oferecidas no lado dele. Às vezes acontece que uma vara longa é fixa na orelha de tal um modo que uma comunicação da orelha para o exterior da sepultura é feito (ie devem o defunto vindo novamente a vida). Antes do ato final de preencher a sepultura completamente, encantamentos são feitos para como certo o culpado que provocou a morte. O 'kapolo' (o padre dos espíritos) agora diz: "Icikulile de Tulefwaya." Icikulile (ciwa) nga cafuma kuli bawiso na banoko, nama de ba de balume. Nakana nga cafuma ku mwanakashi, "nama (nós queremos saber que 'comeu' você (ciwa = espírito ruim) de ba de bakota. Se vier de seu pai e sua mãe, nós matamos um animal masculino, mas se a injustiça estava comprometida no lado da esposa, nós matamos um animal feminino). Ou eles podem dizer: "Nga ni ku muloshi umwaume kampanda e kwatulile mfwa, balume ba nama ne kota limusine; nga imfwa yatulile ku muloshi mwanakashi kampanda, bakota ba nama ne ilume po imo" etc (se a morte vem de uma bruxa masculina (o feiticeiro) nós matamos um único animal masculino; mas se a causa de morte vier da ação de um feiticeiro feminino, então nós também matamos um animal feminino e um macho). Mais tarde, a caça ritual revelará a causa da morte: um espírito ruim (ciwa) ou um feiticeiro (muloshi).Purificações (ukusangulula): Quando a sepultura estiver cheia, os cavadores sérios põem um pequeno formigueiro à cabeça do montículo (uluputa). Todo o mundo parte para voltar para casa para a aldeia. Purificação do cortejo: De modo quando o cortejo alcançar uma estradaem cruz (Encruzilhada), tem que se purificar. O 'o adivinhador', um 'munungwe' (ie um do clã oposto) está lá com uma preparação pelos purificar consistindo em raízes do 'mubwilili' que foram moídos e fervido em um caco de louça (utwinga = panelas quebradas). Ele borrifa em cada um que passa por ele. Esses que tocaram o cadáver de fato devem cada objeto pegar alguma desta medicina e esfregam isto nos olhos, pernas e braços (ukufikina, kupotola = esfregar com as mãos). E deste modo eles são imunizados do corpo que incha para cima (fimba de kukana = não inchar para cima).Purificação da casa da pessoa morta. Durante os serviços de enterro, dois parentes, da pessoa morta, são designadas, um homem e uma mulher para cumprir o trabalho de purificação. Eles são chamados 'abanungwe' e pertence ao clã oposto. Eles não devem ter tido nenhum procedimento com o ie de cadáver e ser protegido de toda a contaminação pela pessoa morta. Com madeira de 'musamba-mfwa' suba em árvore o homem acende um fogo novo fora da cabana enquanto a mulher varre a cabana, quebra alguns utensílios pessoais do defunto e cobre o chão com barro (ukushingula = cobrir). A cama é instalada imediatamente depois e o fogo novo também é trazido na cabana.Purificação da aldeia: Era considerado que a aldeia era suja no começo matutino. Todos os fogos foram apagados e as ruínas se espalharam ao leste. Assim, a aldeia deve ser purificada agora. Todos os membros do cortejo funerário, no retorno deles para a aldeia, do cemitério, tem que passar em frente à cabana do defunto, a porta de qual foi aberta do lado esquerdo (ukucenama), cada um olha para dentro (ukulengela), leva um pouco do fogo novo e leva ele para a sua cabana.Purificação da família: Membros da família e especialmente os cavadores sérios têm que sofrer uma purificação especial. Um pequeno fogo, levado do fogo novo, feito pelo 'umunungwe' é trazido na cabana. Então dois cacos de louça (utuinga) estão cheios com água e medicinas seja posto neles (raízes do 'cisaye', 'mukuwe' e 'kalunguti' e dois amendoins). Um dos cacos de louça é chamado o 'icilume' e simboliza a pessoa morta e o outro é o 'icikota' simbolizando o sustento. São postos ambos no fogo. Quando a água é fervida o caco de louça 'icilume' é retirada do (ukuipula) fogo na presença de todas as pessoas e é lançado na mata para honrar o defunto. O caco de louça 'icikota' também é levado do fogo antes da assembléia inteira e despejada ao pé da cama (ntambalilo) para purifica-la. A purificação pela fricção da lança, machado, enxada, arco e lugar de objetos pegados de setas (ukusansamata). Todas estas ferramentas tinham sido colocadas perto da porta.Ainda as cerimônias de enterro em desenvolvimento, são mantidas as crianças do defunto separadamente. Eles estão isolados para cima em uma cabana (balebesalila = eles estão fechados para cima). "Bemona, umuntu de bafumya de uko, bekata ku nongo sha mfwa (que eles não podem ver como o defunto é levado embora, e que eles não podem tocar a panela de morte)." Depois da cerimônia de purificação eles são liberados para voltar para casa. Purificação de comida: Os cavadores sérios matam uma galinha golpeando-a contra um 'poste da casa' (ukukupawila pai cilu ca nganda) assim o sangue espirra por toda parte (umulopa wasabaukila pai cilu), assim o interior da cabana é borrifado com este sangue. A galinha sacrificatória é chamada 'iccipupalo.' A refeição funerário segue agora. A galinha está cozida em uma panela especial chamada 'mfwa de ya de nongo' (a panela de morte) que é posta em um caco de louça pequeno chamado 'kainga' cozinhar. O 'ubwali' (mingau) está da mesma maneira cozido. Quando a comida estiver cozida, as pessoas ajuntadas levam as louças do fogo e começam a comer.Depois de alguns dias, é ameaçada cerveja (shinda de bwe de ubwalwa; cishiminishi de bwa = cerveja ofereceu aos que ajudaram no enterro) e é oferecido aos zeladores (abakonkele mu ishinda lya muntu ufwile = esses que foram para o enterro).A caça ritual (ukusowe-banda, ukufunye-banda = caçar com redes a uma caça ritual). Alguns dias depois que as cerimônias de purificação são completadas os parentes do defunto organizam uma caça ritual para que eles venham saber o que causou a morte do parente deles. Como nós vimos acima nos encantamentos (kutemba de ntembo de kuume) o antílope de sexo ou antílopes pegos nas redes determinará o sexo da pessoa culpada. No começo matutino as pessoas se juntam no lugar onde as redes são mantidas. O padre da caça (kapala, kapepa) dá para pequenos meninos três mudas de plantas pequenas. Estas tiveram os topos deles divididos, nas fieira de pérolas fendidas e farinha sido inserido. Isto é o 'lupao' (o oferecimento para os espíritos). Uma destas mudas está presa no chão ao pé de uma árvore grande perto da saída da aldeia. Outra é posto onde as redes são mantidas, e a terceira é posto no meio do 'icelu' (chão caçando). Ao fixar estas mudas no chão, os pequenos meninos pronunciam as palavras: "Mwe mipashi ya kuno, mutwafweko (espírito deste lugar nos ajude)." As redes são santificadas quando pegada dos apoios deles. O 'kapepa', padre da caça, os golpeia com a manivela do machado dele e com uma muda de uma destas árvores, o 'kasengele-lubuta' ou o 'musangati.' Isto é o 'musapu' abençoando. Então ele cospe nas redes (ukupala-companheiro = abençoe) e diz: "Ifintu fiise bwangu bwangu ku masumbu, ifya kulya bantu filambalale panshi (os antílopes possam ser pegos depressa em nossas redes e podem manter as bestas selvagens fora)." Agora todos os caçadores bateram as redes e o chão enquanto dizendo: "Cilungile ca kwa kampinda na Mukonda" (as divindades da caça nos favorecem; literalmente: esta é a caça dos espíritos da floresta). Os chifres de bruxa (pandilwamo de sha de nsengo) e remédios mágicos (mumpulumpumpi de muti) são fixos está fora agora esticado e a caça começa.O primeiro antílope em ser morto é considerado a resposta dos espíritos para a oração deles. O 'kapalo' (padre) lança farinha declarando na cabeça da besta: "Nomba twaishiba uko mfwa yatulile (agora nós sabemos de onde a morte veio)." A besta está cortada para cima. O 'kapalo' leva uma perna para ele. O resto do animal é dividido entre os outros caçadores. A cabeça só é mantido como é trazido para a aldeia e é determinado como comida para a família da pessoa morta (e kulye nama você banda = esta é a carne da caça).A cerveja do defunto (lupupo de bwa de ubwalwa, lupupo de ukupupa - cerimônia para honrar o 'novo' espírito do recentemente a pessoa falecida).Asperamente um mês depois que a morte a família da pessoa falecida prepara a cerveja chamada 'ulupupo.' Cada um dá um pouco de milhete (amale) que é posto no rio para germinar. Quando o milhete germina (imimena = germinou grão)é seco e esmagado por um 'umunungwe' (pessoa do clã oposto). No próprio momento o 'umusunga de ukushimpula', o grão fermentado está cozido em cima do fogo. Toda a dobra familiar junto na cabana e os homens afluem as voltas de tomada de água (ukutubila) quentes com as mulheres.Uma calabaça especial de cerveja chamada 'umufungo' está preparado para a pessoa falecida (anwemo de ufwile = que a pessoa morta pode beber). Uma criança ou sobrinho do defunto vertem esta cerveja no pequeno formigueiro em cima da sepultura ou melhor ainda, ele esvazia a cerveja no buraco que comunica com a orelha do defunto. Mas se o cemitério for longe, a cerveja é lançada na mata e os defuntos virão beber isto lá. Isto corretamente que fala é o 'ulupupo.' Depois deste oferecimento de cerveja para o defunto as pessoas começam a beber o que eles chamam 'ntengwe' ou 'cinshinshi-cinshi.' Junto com o beber há 'ulupupo' canções. Esta 'ulupupo' cerimônia está aberta a todos. Recusar fazer parte seriam interpretados como difamando o morto e causaria a raiva das pessoas. Com o 'umusunga' (grão fermentado) que terminou esquerdo, o 'umunungwe' (membro do clã oposto) prepara mais cerveja que é chamada 'mabula de cansula.' Viúva ou viúvo (mwilwa de muka)Nenhuma viúva ou viúvo tem qualquer parte nas cerimônias funerárias porque em casos eles são considerados a causa da morte do membro deles em matrimônio. Às vezes o viúvo é preso e açoitado, todos os pertences da esposa dele como ornamentos, roupas, enxadas etc é levado pelos parentes dos defuntos. Feliz realmente é o homem que, como resultado dos encantamentos não é acusado de feitiçaria ou de ser possuido por um espírito ruim, para então as represálias seria realmente terrível. O lote da viúva não é melhor. Ela é batida, e ridicularizada. Todos os bens de seu marido como caixas de grão com comida vão para os pais do defunto. Ela é reduzida a implorar (ukupula) até que o destino dela ser conhecido revelando o grau da culpabilidade dela para a morte do marido. Mas, o que é pior, 'muka-mfwilwa' (viúva) é colocado debaixo de uma interdição. 'Ela é assombrada pela morte no corpo dela' (aba ne mfwa mu nda). Como ela é assombrada pela morte do marido, ela não pode re-casar. Se casar novamente enquanto debaixo de interdição resultaria na morte do cônjuge novo. Assim as pessoas dizem de tal uma pessoa: "E cilwa buko iciisa ulubansa nga lwabuta (este é combater o parente que cames em uma multidão)." Isto também aplica ao viúvo. Ambos têm que afugentar morte. Afugentar a morte (mfwa de ukutamfya).O viúvo: para afugentar a morte da esposa dele que o assombra, o marido tem que buscar ter relações de matrimônio clandestinas durante dois dias com uma irmã ou sobrinha da esposa morta. A cerimônia difere de acordo com o estado da mulher que concorda em dormir com ele, se ela está casada ou não.Se a mulher escolhida é solteira: A cerimônia dura dois dias e acontece na aldeia. Depois que o viúvo fizer o ato de matrimônio na primeira vez com a mulher jovem, ela põe dois 'utuinga' (pequenas panelas) no fogo. Eles estão cheios com água e remédios (raízes do mubwilili). Um do 'utuinga' é chamado 'kalubi' (fetiche) e o outro 'icikota' (a mulher grande). A água do 'kalubi' é lançado na estrada ao longo da qual o cortejo fúnebre passou. (Aitila amenshi mwi'shinda lya mucishi = ela lança a água na rota para a sepultura.) No segundo dia o viúvo e a mulher jovem coloca junto o 'akapalwilo' (panela de matrimônio) no fogo, e junto remove isto do fogo quando a água estiver quente para se lavar. Este é o laço definido de matrimônio. "Um mupa, e myupile mu kupyana, e mipyanine amupa nenhum kumupa" (ele se casou com ela. Este é o modo de se casar no ritual para remover morte).Às vezes acontece que o viúvo não acha um parente da esposa morta , com quem ele pode se livrar da 'morte.' Assim, ele atrai qualquer viúva para o ajudar. Se os parentes dela concordarem, ela é dada a ele em matrimônio. (Cishishi de Bamupa = ele se casa este próximo de família para jogar fora o espírito e morte). Com ela, ele passa em primeiro lugar pela cerimônia de 'mfwa de ukutamfye.' Eles dizem então: "E wamupokela mfwa (ela levou morte para longe dele)": "E wamutamfishe mwa", "E (ela clareou morte longe dele) wamupoka umupashi (ela o liberou do espírito do defunto)." Isto a mulher escolhida está casada (waupwa de umwanakashi) o problema é mais difícil, para como ela está casada que ela incorrerá as conseqüências do adultério naturalmente (amasho - um feitiço que cai em qualquer um que não pode executar as purificações rituais; e 'ncila' - morte causada pela deslealdade dela). Esta cerimônia é determinada com o nome de 'mfa de ukwiba, amafwa de ukwiba' (roubar a morte). Esta mulher casada tem que tirar proveito da ausência do marido dela para ter relações extramatrimoniais. Normalmente o encontro de primeiro dia acontece na mata. (Kwongoloka mu mpanga = se escapulir despercebido na mata). Eles fazem como no caso da mulher solteira, eles depositam os dois 'utuinga' (panelas) no fogo, mas há uma diferença. Quando a mulher se lava com o molho lustral (icikota) o homem a toca (greves) por detrás no ombro com um pedaço de madeira do forno. A mulher lhe dá uma medicina que ele tem que esfregar nele (ukufikina). No segundo dia eles têm o ato de matrimônio na casa da viúva na aldeia. Como no caso prévio o 'akapalwilo' (panela de matrimônio) seja posto no fogo, mas o viúvo não deve olhar para isto. Ele vai para fora e segura um dos postes da casa. E deste modo ele mantém contato com a cerimônia que é executada dentro da casa. À conclusão desta cerimônia o homem é livre dos efeitos da morte e pode se casar novamente sem qualquer medo. A mulher vai para casa, mas durante um dia todo ela não deve olhar para o marido (cilolela) dela, nem deve ela aproximação ou tocar o fogo (tutema) nem tocar comida (tepika) Além disso ela tem que pôr uma medicina especial nela 'kapalwilo' (panela de matrimônio) para evitar qualquer efeito mau do adultério dela.A viúva (mukamfwilwa, mulume de uwafwilwo = de quem marido morreu): Em primeiro lugar há a cerimônia ou 'amenshi de ukunwa' (beber água) que consiste dando os arcos e setas que pertencem ao marido morto a um sobrinho ou sobrinho principal que são destinados para substituir o tio dele levando o nome dele e executando as funções (e kutola amata, e kufumye mifitalila ya mubiye = este que leva setas, este é herdeiro das setas, tomar as coisas ruins da pessoa é o vizinho) dele. Outro modo de pôr isto é: "E kubule mishingo (amata) ya munankwe (este é herdeiro dos bens e esposa do homem morto)."Adquirir liberdade da morte da viúva é uma cerimônia chamada 'ukupyana', dura durante dois dias. Isto 'mukamfwilwa de ukupyana' tem a mesma pontaria como para o viúvo: libertar dos tabus causados pela morte, tendo relações sexuais com o próximo além disso de família da pessoa morta, a viúva é herdada. Em tribos vizinhas conduziu a poligamia, mas não necessariamente entre o Bemba (* * a mulher é freqüentemente livre recasar como gosta ela). Sempre há vários pretendentes que se oferecerão para livrar a viúva da morte que a tem em seu aperto. Se o pretendente designado pela família é solteiro a cerimônia a será executada igual ao do viúvo com uma mulher solteira. Menos a cerimônia termina com um verdadeiro matrimônio (kupyanina de mu de amupa = ele a se casa executando os ritos de kupyana). Quando o pretendente designado pela família é um homem casado as cerimônias seguidas são esses de um viúvo e uma mulher casada. Mas há algumas diferenças. A cerimônia é feita em público e não em segredo, e é seguido na cabana da viúva. O homem casado com o consentimento da esposa dele põe uma das pulseiras dela e a cinta (amasho de ninkamusha = eu não sofrerei o feitiço que é o resultado de não executar as lavagens rituais) dela. Quando eles estão tendo relações sexuais todas as porta são abertas (yacenama de nganda). Estas relações sexuais acontecem durante o dia. Tudo aquilo segue é igual a mencionado acima, primeiro dia: os dois 'utuinga' (pequenas panelas) seja posto no fogo, ie o 'akalubi' e o 'icikota.' Medicinas são postas dentro. A água lustral é vertida na estrada para o cemitério, contate com a mulher pelos ombros. No segundo dia, depois de relações sexuais, o 'akapalwilo' seja posto no fogo: o homem vai para fora da casa, mas mantém contato por segurar um poste da casa. São levadas medicinas.O homem casado agora volta para a própria esposa dele e devolve a pulseira dela e cinta. Ele dá presentes apropriados então a ela. Na primeira noite depois que ele executar o ato de matrimônio com a esposa dele, eles podem não ter lavagens matrimoniais (akapalwilo de kuteka de ie). A água simplesmente é despejada. E durante o curso do dia inteiro não pode tocar o fogo. Só no próximo dia que o marido e esposa executam as lavagens rituais junto com o 'akanweno' (a panela de matrimônio).A viúva que foi livrada da morte (mfwa de bamulile) em muitos casos continua vivendo com o homem que se entregou, o libertador dela. Mas eles podem executar só o ato de matrimônio durante o dia com a porta que permanece aberto para isto é considerada que é um 'concubinato público' ou uma poligamia tolerada.O BANYANKOLEO Banyankole não acreditavam que morte era um fenômeno natural. De acordo com eles, a morte era atribuída a feitiçaria, infortúnio e o despeito dos vizinhos. Eles tinham uma declaração: Tihariho mufu atarogyirwe. Significando; não há nenhum corpo que morre sem estar encantado." Eles acharam difícil de acreditar que um homem pudesse morrer se não estivesse devido a feitiçaria e malevolência de outras pessoas. Adequadamente, depois de toda morte, as pessoas afetadas consultariam um médico feiticeiro para descobrir quem era responsável para causar a morte.Um corpo morto normalmente ficaria na casa para contanto que levasse todos os parentes importantes para juntar. Entre o Bairu, a pessoa seria enterrada na plantação. Entre o Bahima ele seria enterrado na aldeia cercada. O enterro era normalmente terminado pela tarde e os corpos eram enterrados revestidos ao leste. Depois de enterro, a mulher era concedida três dias de lamentar enquanto ao homem era concedido quatro dias. Durante os dias de lamentar, todos os vizinhos e os parentes do defunto permaneceriam acampando e dormindo na casa do defunto. Durante este período, não cavaria o bairro inteiro ou faria trabalho manual porque se acreditava que se qualquer um cavasse, ou fizesse trabalho manual durante os dias de luto, ele causaria a aldeia inteira a ser saqueada através de tempestades de granizo. Tal uma pessoa também poderia ser considerada como um feiticeiro e poderia ser suspeita facilmente de ter causado a morte da pessoa que há pouco tinha sido enterrada. Porém, a abstinência dos vizinhos de cavar e fazer trabalho manual era significada como consolar os parentes.Se o homem morto fosse a cabeça da casa a conta de chefia dele seria rebentada e seria comida para terminar os dias de lamentar. Seriam administradas cerimônias rituais adicionais se o homem morto era muito velho e teve filhos. Se uma pessoa morresse com um rancor contra alguém na família, ele era enterrado com alguns objetos para manter o espírito ocupado de forma que ele não teria tempo para assombrar esses com quem os defuntos tiveram um rancor.Havia enterros especiais para solteironas e os que se suicidavam. O enterro de uma pessoa que se suicidava era muito complicado. O corpo seria cortado (da corda) de uma árvore por uma mulher que tinha atingido menopausa. Tal essa mulher era fortalecida pesadamente com fetiches e amuletos. Realmente se acreditava que quem executava o papel de cortar a corda usado pelo suicídio morreria logo também.Reza a tradição que não podia se tocar os corpos de vítimas de suicídio. Uma sepultura era cavada diretamente debaixo do cadáver de forma que ao cortar a corda, o cadáver entraria direto na sepultura. A sepultura estava então coberta com folhagens medicinais e isso era tudo. Lá nem estaria lamentando nem os ritos funerário normais. A árvore na qual a vítima se abraçou seria desarraigada e seria queimada. Os parentes da vítima de suicídio não usariam qualquer pedaço daquela árvore para lenha.Também havia formalidades particulares pelo enterro de uma solteirona. Se tal uma menina morresse, era temido que o espírito dela voltasse assombrar o sustento simplesmente porque ele a menina tinha morrido insatisfeita. Em ordem aplacar o espírito e evitar suas retribuições más, antes de o corpo ser levado para enterro, a um dos irmãos da menina morta era exigido fingir fazer amor com o cadáver. Este ato era conhecido como ahamutwe de empango de okugyeza. Então o corpo passava pela porta traseira e era enterrado. É dito que se um homem morresse solteiro, ele seria enterrado com um talo de banana para ocupar a posição da suposta esposa. acreditava-se que isto propiciava o espírito do homem morto e suas retribuições más no sustento. O corpo também era passado pela porta traseira.O THONGAComeçar com a pessoa, nota em todas as tribos bantas do sudeste, que todos os parentes devem ser informados da morte e se possível pagamento aos cumprimentos para o morto. Esses estão que estavam longe eram informados por magia. Por exemplo, o Thonga assoam medicinas na direção da pessoa ausente; e eles ouviam falar da morte de um parente em casa, e que um zulo raspavam as cabeças e sofriam medicamentos de fortalecimento. A essência do funeral é que reúne toda a família. É notório que há uma tendência para famílias se dividirem na morte de patriarcas. Aos funerais deles é mostrado um desabafo cerimonial de queixas por todos os parentes. Os ritos eles dão ênfase a unidade familiar, em grande parte em sacrifícios que afirmam o laço dos sobreviventes, o morto e os antepassados comuns deles, e em qual o novo lider da família oficia primeiro como padre. O Thonga rezam para que eles possam viver em paz; talvez eles desejam que os irmãos sobreviventes possam não disputar. A morte do líder transtorna a vida coletiva do domicílio abaixo o qual está quebrado e abandonado. O Thonga pensam que esta vida coletiva é representada através de relações sexuais matrimoniais e estes estão suspensos durante um tempo, quando retomou em relacionamento ritual. O propósito disto é declarado para ser limpar a herança" que é principalmente sucessão ao chefe do domicílio.Por todos os ritos corridos a expressão de unidade de grupo. Um funeral é por excelência a cerimônia que todos os parentes têm que assistir, para que eles não sejam suspeitos de causar a morte através de feitiçaria. Também é a única cerimônia quando, se os indivíduos estiverem inevitavelmente ausentes, eles são trazidos através de procuração nos ritos. Os pertences deles são purificados para quando eles voltassem para casa que eles tinham que comer primeiro ritualmente da comida antes de eles pudessem entrar no domicílio. Quando os caçadores de Thonga voltam às casas deles depois de uma viagem longa e que alguém havia morrido, eram purificadas eles e as armas deles. Nos ritos de submissão para as disputas de antepassados deve ser resolvido. Nesta ocasião o grupo reage com freqüencia violentamente contra a causa suspeitada de morte (talvez um feiticeiro); em algumas tribos bantas os homens brandem as armas deles contra os espíritos.O CUNHAMAOs Cuanhamas sepultam os defuntos nos próprios eumbos. Dentro destes o local da sepultura e os ritos a efectuar dependem da idade, sexo e posição social do falecido. Normalmente o dono da casa tem o seu túmulo no curral dos bois ou no lugar do fogo, no grande pátio interior.Antes de os membros se tornarem rígidos, os joelhos são encolhidos e dobrados diante do peito e, sobre este, os braços cruzados. Antes de ser enterrado o cadáver é enrolado numa pele de boi que se mata logo após a morte, e entre o tronco e o braço direito e colocado um pilão, com que as mulheres esmagavam os cereais, cuja ponta fica fora da terra.Deste maneira, o local e o modo de enterrar simboliza muito bem as estratificações de cultura deste povo: o túmulo individual, herança dos antepassados caçadores; o curral e a pele dos bois, vestígios evidentes da sua vida de pastores; e o pilão, herança dos antepassados agricultores.O enterro do soba (ohamba) revestia-se de grandes solenidades. duas jovens escravas acompanhavam, vivas, o seu amo para a cova.O choro por um adulto dura quatro dias, por um jovem dois e por uma criança apenas um. Durante este tempo pranteia-se o morto de manhã, ao pôr do sol e quando chegam parentes de longe.O choro pelo soba reinante durava semanas e obrigava toda a população tribal, a quem a ocorrência impunha também descanso obrigatório durante um mês ou mais. As campas dos sobas eram cercadas com paus fortes e altos e constituíam o único monumento funerário destas terras.Os sinais exteriores de luto são quase imperceptíveis. Apenas as mulheres se despem dos seus adornos. Passado algum tempo, voltam a usar a cinta ornamentada com missangas, mas de cor escura. algumas das que abandonaram os trajes tradicionais usam, por vezes, um colar de missangas escuras.

RITOS FÚNEBRES BANTO (2)

RITOS FÚNEBRES BANTO (2)
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O MUILA

Quando ocorre uma morte, o cadáver é encostado aos paus da libata, sendo colocada do outro lado uma esteira, para o resguardar, e ali fica durante pelo menos dois dias, não se realizando o funeral sem que se reuna a família que, por vezes, vem de longas distâncias.
Quanto ao funeral, propriamente dito, há a considerar o dos pobres e o dos ricos;
No dos pobres, vai o cadáver a enterrar sem qualquer cerimónia, embrulhado numa manta e amarrado a um pau, para o poderem transportar.
No dos ricos, e como já se referiu, o cadáver demora mais tempo a ser enterrado, para dar tempo a que toda a família se reuna ou, pelo menos, se reuna grande número dos seus membros. Em geral o rico, em vida, escolhe uns bois, normalmente em número de quatro, para as cerimónias do seu funeral. Desses quatro bois, dois são destinados à venda, para, com o seu produto, serem compradas as bebidas, tais como vinho, macau ou outras, e as roupas para o enterro, um outro para ser consumido dois dias depois do funeral e o último para aproveitarem a pele para embrulhar o cadáver, não sendo aproveitada a carne deste.
Para o enterro, o cadáver é embrulhado em duas mantas e três cobertores, sendo então envolto com a pele do boi escolhido para o efeito.
Ao embrulharem o cadáver, os muilas deixam os pés de fora e amarram o couro do boi por cima da cabeça, completando o embrulho com fitas extraídas de cascas de árvores, prendendo-o então a um pau que servirá para o transportar.
Normalmente, escolhem o trajecto para o cortejo fúnebre por forma a passar pelas casas das pessoas de família e para as despedidas. No percurso, em geral descansam uma vez entre a casa do morto e o cemitério, sendo nesse local que o herdeiro, mais tarde, construirá o "Tchoto" - coberto que serve para reuniões e fica ao centro do "eumbo" - onde se realizará a festa do "kuricutila", que adiante se descreverá.
Durante o percurso para o cemitério, vai um homem velho à frente dos que transportam o cadáver, perguntando quem foi o causador da morte, indicando nomes e deitando fora uns pós. É crença que, se o velho acertar no nome do causador da morte, o cadáver se deslocará para a frente, impulsionando os transportadores, dos quais o mais avançado irá embater no velho.
Uma vez no cemitério, pousam o cadáver no chão e abrem a cova. Pronta esta, retiram o pau que serviu para transportar o cadáver e cortam-no em três pedaços, os quais são postos dentro da mesma, por forma a que um sirva de travesseiro, ficando os outros dois um de cada lado. O cadáver é então colocado na cova, de lado e com os pés virados para nascente, após o que cada um dos presentes lança um pouco de terra sobre ele, formulando o seu desejo, que em geral é referente ao espírito do morto. Tapada a cova, colocam sobre a sepultura ramos de espinheiras, para evitar que os animais carnívoros desenterrem o cadáver.
Os Muilas têm o culto dos mortos. Têm-lhes respeito e temem as suas almas. Se, durante o funeral, o adivinhador tiver dito que a morte foi causada por feitiços, ficam com receio de que o morto volte, para fazer mal às pessoas e gados. Este um dos motivos porque promovem festas - em especial a do Kuricutila - destinadas a contentar o morto, por forma a que não volte para fazer mal, dado terem a convicção de que a alma do morto volta sempre, umas vezes para fazer bem e outras para fazer mal, acreditando que volte para fazer mal se, durante a vida, esteve doente e não foi tratado pelo Quimbanda. Para fazer bem e proteger as pessoas da família voltará se, em vida, foi bem tratado enquanto doente. Acreditam ainda que a alma volta em bem para que façam a festa do Kuricutila e, se uma mulher que não tem filhos está doente, para que esta os possa ter, originando a celebração de uma festa, na qual o morto, através da sua alma, indica ao Quimbanda qual o tratamento a fazer.

O BURUNDI
Durante os dias de lamentar, a família experimentada como também os vizinhos vivem em um tipo de paralisia. Tudo o que faz beleza pensa deve ser escondido. As mulheres escondem os colares de marfim deles, as pulseiras fizeram de cobre. Para a morte do rei, os maridos não se deitam mais com as esposas deles e a pessoa separa as vacas dos touros. A família lamentando como também as paradas de vizinhos o trabalho dos campos, o arado. Não é necessário especialmente plantar qualquer coisa.
Vida é ameaçada pela proximidade da morte. As mulheres grávidas tiveram que evitar ver um morto ou conhecer um cortejo funerário. Antes do funeral, a pessoa esfrega uma espécie de manteiga em algumas partes do cadáver (como a testa) enquanto dizendo: "seja nós auspicioso, não nos amaldiçoe, adeus." A pessoa recupera o medo da morte, uma súplica de forma que qualquer coisa de dor não chega depois da morte.
Está na hora do término de lamentar aquele se purifica ao máximo apagar todo o rastro de morte e permitir vida assim para levar. Os membros da família vão cedo para o vale e as pessoas se lavam.
O rebanho de vacas também tem que ir para o vale e tem que adquirir a liberdade dos germes de morte. A pessoa é clareado e besuntada da terra branca (cor favorável). A pessoa leva as louças inteiras e tudo é lavado. A pessoa põe materiais novos e o fogo novo, símbolo de vida é alumiado. A pessoa mais nunca pronunciará o nome do morto. Se um vizinho levar o mesmo nome, ele tem que mudar nome. gucuza, pronunciar o nome de um morto vem de uma intenção malévola. É chamar o infortúnio.

O HIMBA
Os ritos de morte ou funeral é denominado Omu-Koti, enquanto realçando entre todos os eventos sociais do himba, podendo acabar transformando em hecatombes autênticas no caso da morte de um chefe de cidade poderoso. A duração do funerário está com relação à riqueza no gado do defunto, porque expressando a coisa rica é entre os objetivos do funerário que tinha acabado sendo. Para acompanhar o ritmo das canções, você não pode usar o mais ou menos, com exceção de quando o defunto é um otjimbanda cujo funeral que requer de lamentos mais espetaculares. No momento é enterrado ao morto em posição de decúbito supino embrulhada na pele (otjinguma) do boi favorito (ohivirikua) deles. Antigamente o corpo era enterrado em posição sentada com as reuniões de pernas. A distância da cidade e o cemitério (oma-langalo) que pode ser mostrado por algumas estacas de madeira. Nas tumbas são colocadas pedras. O himba não tem flores, por isso eles colocavam mudas de árvores nas tumbas dos antepassados deles. Os chifres dos bois sacrificados na honra deles são assunto a alguma próxima árvore. A carne do gado sagrado não pode ser comida por respeito ao defunto, porque eram animais querido para ele. O gado sagrado é morto no campo e é como se enviasse o espírito destes animais sagrados para a eternidade, junto com o defunto. Se quem morre é um menino ou menina, não se faz funeral em outro lugar e os parentes deles e amigos chorarão dentro das cabanas deles. Ao segundo dia mata o pai um boi não sagrado e todas as pessoas vão comer. Se o menino é muito pequeno ele não é enterrado no cemitério, mas no curral das carnes de vitela, no mesmo centro da cidade e ele não fica lamentando (que consiste para o homem em descobrir o cabelo, enquanto levando isto ao ar sem cruzar. O colar é levado com algumas voltas de menos).
Ao menino é embrulhado em um couro de ovelha (ondikua) na qual a mãe leva ao menino. Quando o pai comunica à mãe da esposa dele que o neto dela morreu, ele paga uma carne de vitela (ondema di ongombe) ao tio da esposa (que é considerado mais que a mãe). Deste modo o eanda de mãe é reforçado. Se quem morre for uma mulher (omukadendu di kuapanyara), o funerário dela acontece próximo à própria casa deles ou próximo à casa do pai dela. Eles sacrificam no campo entre um e quatro bois. Os chifres adornarão a tumba e a carne das cabeças serão comida para afastar as pestes. A cerimônia principal consiste na entrega do ekori do defunto (esfole touca) que o viúvo deveria dar, além de um boi para a sogra dele ou uma irmã se que já não viveu. Os bois da mulher não são disputados porque eles correspondem a herança do filho deles. São colocados os chifres dos bois, sacrificados pelo marido na honra da mulher, próximo à casa do defunto. Os chifres são esfregados com kidé (o pó vermelho com que as mulheres são ungidas). No funeral eles são levados para o cemitério e eles são colocados próximo à tumba delas. Os objetos são pegados pelos familiares inteiros, fora os colares e depois que termina o enterro, o pai da mulher mata um boi e todos participam da comida. Eles vestiam os colares novamente, mas agora eles são colocados alongado, são pendurados no tórax e não são batidos ao pescoço. Se a mulher morresse pela manhã, ela era a enterrada pela tarde, e se ela morresse pela tarde, era enterrada manhã seguinte. Antigamente era esperado que todos os parentes viessem antes do funeral, mas agora isto é feito antes do cadáver entrar em estado de putrefação. A diferença, no caso de um homem morrer, é que o lugar dos objetos colocados para o ritual era próximo ao okuruwo e não na casa. O lugar concreto se chama muvanda, entre a casa grande e o okuruwo. Os bois são sacrificados no otjoto onde eles serão cozidos e comidos. O boi favorito do rebanho sagrado do morto é imolado junto ao corpo que será enterrado embrulhado na pele do boi. No caso do morto ser o chefe de Aldeia cercada, as celebrações do funerário deles podiam alongar durante um mês, tempo durante o qual todos seus parentes e amigos participarão. Para tais rituais você pode acabar sacrificando mais de cinqüenta bois. Para a viúva o luto consiste em levar o colar pendurado com menos volta, tirar as decorações e as pulseiras de seus braços e cortar as decorações das pernas, só deixando um terço de sua longitude na parte central. Também levará os pêlos sujos. Passado entre seis e doze meses volte ao cemitério e mais bois (normalmente dois) são sacrificados. Durante três dias acontece uma festa na qual comem carne em abundância. De acordo com o himba, esta festa são os sinais do luto, para ajudar a fazer o espírito da morta feliz. A festa começa de amanhã entrando adiante em cortejo as mulheres, os homens entre os gados. As crianças estão na cidade. Quando eles chegam ao cemitério eram eles que punham brotos de folhas sobre as tumbas, em favor dos espíritos dos mortos e muitos gritos de felicidade.

O HUMBUNDO
Entre os costumes Humbundo, um dos mais complexos e detalhados, é o ritual da morte e a despedida e encomenda do espírito.
Manda a ética que, quando morre algum membro da tribo, se é encontrado por alguém que não seja parente próximo, a notícia seja dada ao mais próximo dos parentes, à hora de melhor disposição, que é a da refeição. Segue-se à notícia uma cena alucinante, pois mandam os mesmos preceitos éticos que o notificado, em demonstração de dor pública, exagere nas demonstrações de inconformismo.
Um mensageiro vai depois avisar todos os parentes, para que se reúnam na cubata do defunto tão cedo quanto possível, para dar início às cerimônias rituais de despedida do espírito. Nesse meio tempo, as mulheres vão preparando a Kissângwa - bebida obtida com um fermentado de milho ou massambala – que animará os vivos na vigília ao morto. Depois da chegada do último parente, reúnem-se em duas cubatas, homens numa e mulheres na outra, ficando na cubata em que está o morto, os do mesmo sexo.
Durante a noite inteira são entoados cânticos de despedida, que acompanham e alegram a subida do espírito, entremeados por histórias vividas pelo defunto, contadas pelos membros da tribo, à medida que delas se forem lembrando. Os animais que caçou, os bichos que teve, as viagens que efetuou, atitudes em que tenha se destacado. De madrugada tem início o óbito propriamente dito. O Onganga entoa um cântico fúnebre acompanhado pelo som dos batuques em tom contínuo e baixo, e pelo coro dos presentes, num gemido muito baixo, como que longínquo. Após as rezas de encomenda, o corpo enrolado em esteiras, em cortejo, é levado ao local de sepultamento.
No dia seguinte, todos os parentes em luto fechado, vão visitar de novo a campa, levando cada um, um objeto de uso pessoal do morto, para que, caso este, em espírito, sinta necessidade de voltar a usar um dos objetos, não necessite voltar à sanzala. Os objetos estarão em volta e sobre a campa.
O ritual torna-se por vezes bastante demorado, pois alguns parentes podem morar em Kimbos bastante afastados, acontecendo nesses casos e vigília, com o corpo em adiantado estado de decomposição.
Nem estado deteriorado do corpo, nem o mau cheiro inerente, alteram a urgência do ritual; o importante é estarem todos os parentes reunidos, a fim de melhor evidenciar o vácuo que o morto deixa com o seu desaparecimento.

O KIKONGO
Para o povo Muxito, da família Kikongo, a morte de um Soba era acompanhada de uma série de outras mortes, voluntárias , ou pelo menos encaradas com resignação estóica, de pessoas que deveriam acompanha-lo, para que no além túmulo ele pudesse continuar a gozar de determinados privilégios. Pela tradição morriam também a mulher mais nova, o conselheiro mais velho e o mais diligente dos serviçais. Caso o Soba, na agonia da morte, determinasse que queria outros acompanhantes além destes três, a sua vontade seria cumprida sem qualquer contestação. Este costume tradicional, foi dos que as autoridades coloniais mais tiveram dificuldade em combater, pois apesar da vigilância exercida, durante muitos anos a morte do Soba continuou mantendo todos os preceitos tradicionais. Escondiam-se nos lugares mais inacessíveis, para levar o ritual a efeito.
Dos últimos casos em que se teve conhecimento oficial dessa prática, foi no ano de 1926, quando da morte do Soba Mazeze.
Nesse ano, marcharam o Soba Mazeze e respetiva comitiva, para o Posto do Lucano, em visita cordial.
Nesse entretanto, deslocou-se ao Sobado, um sobrinho de Mazeze, Sobeta em território Congolês , que por sua vez ia visitar o tio. Como não o encontrasse, resolveu ir ele também ao Lucano, para lá cumprimentar o Patriarca.
As duas comitivas encontraram-se no caminho, estando já Mazeze de volta, e todos pararam para celebrar. A celebração demorou vários dias, em que foram consumidas expressivas quantidades de cabaças de Marufo ( fermentado de seiva de palmeira ), tanto pelos chefes, como pelos acompanhantes. Dada por finda a celebração, voltaram as diuas comitivas ao Sobado, onde Mazeze chegou já bastante doente. A despeito de todas as tentativas de cura por parte dos Tchimbandas, poucos dias depois o chefe morreu.
A autoridade colonial do Lucano, tendo tido conhecimento dessa morte, e sabedora dos costumes tribais, logo rumou para o Sobado, junto com um pequeno destacamento de Cipaios e Capitas ( forças militarizadas constituídas por homens de outras tribos, de apoio às administrações coloniais portuguesas ), numa tentativa de evitar o morticínio.
Mas o destacamento chegou tarde, várias pessoas já haviam morrido em conseqüência do ritual. Mas as autoridades não conseguiram apurar nada de concreto, pois o povo interrogado, limitava-se a responder que os personagens extras, tinham morrido por haverem tomado o mesmo líquido que o Soba, e não por qualquer outra razão. Como se disse acima, este costume foi dos mais difíceis de combater pelos colonizadores, e nada garante que esteja completamente erradicado, que ainda hoje não se pratique nos mais recondidos e inacessíveis lugares do mato, com a anuência de todos.

O GANGUELA
Entre os Luy, outro ramo do grupo ganguela, era bárbaro o funeral de um Soba.
O Soba, ddepois de morto e de ter passado todos os rituais fúnebres, era colocado na cova em que seria sepultado, junto com todas as pessoas que lhe tivessem sido chegadas em vida.
O sucessor, era investido imediatamente após a morte do chefe, por um dos secúlos do conselho de velhos, que o ungia com a ponta de uma lança, numa investidura muito semelhante à dos cavaleiros na Europa medieval. Terminada a cerimônia do sepultamento do Soba e respectivos acompanhantes, o novo chefe retirava com todo o povo para um novo local escolhido para Kimbo, ficando o antigo local para veneração, onde os velhos em determinadas épocas iam em peregrinação.

O CABINDA
Notemos desde já que ainda nos tempos de hoje lhes custa a aceitar a morte como natural. Para eles alguém a deseja, alguém a provoca, alguém quer mal ao doente ou à família.
Para a «confissão» os parentes juntam-se à roda do enfermo.
Aí, diante de todos, cada um por sua vez, terá de declarar se algum dia disse alguma coisa contra o doente ou se chegou, mesmo só no seu íntimo, a desejar-lhe mal. Não a fazendo, se o doente morrer, atribuirão a morte à não realização da «confissão» ou, se a tiver havido, deitarão as culpas àquele que tendo alguma coisa contra o doente a não declarou e, sobretudo, contra algum parente que não tenha comparecido. O faltoso será tido por ser o verdadeiro culpado, por ser o «comedor» da alma do extinto, o Ndoki.
Em outros tempos, este faltoso seria levado à prova da «faca quente» ou à da nkasa (a do veneno da «casca» - Erythrophloeum Le-Testui, A. Chev.) .
Mas, mesmo hoje, não deixará de ter de apresentar contas e chegará a concluir que a vida não lhe virá a ser muito longa, pois ainda conhecem muitas formas de desforra...
Nos tempos que correm ainda morre mais gente do que se pode calcular vítima destas e doutras desforras. São os naturais quem tal afirma.
Por isso os parentes correm de muito longe para se apresentarem na fiabiziana. Sendo-lhes absolutamente impossível comparecer não deixarão de apresentar, o mais breve possível, as verdadeiras causas da sua ausência.
Apenas alguém expira a sua morte será anunciada pelo pranto das pessoas de família ao qual se junta, como fogo que se atiça, o de toda a gente da aldeia. O berreiro é ensurdecedor.
Se a morte foi repentina ficam como loucos.
Acabado de morrer, era o defunto ou defunta lavada, rapado o cabelo da cabeça e cortavam-se-lhe as unhas o mais rente possível. Depois de bem limpo, vestiam-lhe os melhores panos e era embrulhado em mais ou menos cobertores conforme a dignidade do morto e família (20, 30, 40, 60, 70 e mais... ).
Vestido com o melhor que tiver e com o que foi, sobretudo, de seu gosto - vi mortos de capacete e com óculos escuros! - é colocado na cama ou sobre uma esteira, enquanto não tem o caixão.
Quase sempre, para que se permita ver a pessoa defunta e para que haja espaço suficiente, é tirada uma ou duas das paredes da casa. Não é difícil, uma vez que estas paredes são de papiros.
Mas já se não faz o mesmo nas casas de carácter definitivo.
As mulheres do defunto e as mais pessoas do sexo feminino que pertenciam à família rapavam a cabeça e quase se despiam totalmente. Esfregavam-se com carvão e, numa cantinela lúgubre, chorada, faziam o pranto. O pranto é contínuo. Traçam nele todos os factos de que se lembram da vida do falecido.
Nas aldeias do interior, os homens correm à floresta onde aparelharão, toscamente, as tábuas para o caixão. São quase sempre os homens da família que se encarregam deste trabalho.
Preparado o caixão, sempre no meio do mesmo choro cantado, é envolvido o morto em mais ou menos cobertores, segundo a dignidade deste e riqueza da família. É, depois, encerrado no caixão, que terá sido feito com o comprimento, largura e altura exigidas pelo número de cobertores que o envolvem.
O choro cantado dos da família, sempre contínuo, não significa somente dor - que a há - pela perda da pessoa falecida. Mas é também para afugentar os bandoki para que não venham buscar mais ninguém e para que a alma do defunto fique satisfeita.
Se o morto levar 30 ou 60 cobertores, mesmo finos que sejam, pode imaginar-se o volume e tamanho do caixão, E se este uso e gasto vai diminuindo, não se julgue que passou por completo.
É na morte e, sobretudo, no enterro que se faz ideia do que valia o falecido.
...Cada um dos cobertores que é envolvido nos defuntos levará um valente rasgão, ao meio. É para ninguém ser tentado a violar os caixões e sepulturas, roubando-os. Assim teria acontecido, outrora. Pessoas de família, à medida que vão chegando, oferecem cobertores e esteiras. Na medida em que o caixão o permite e o podiam prever, lá serão encerrados. Doutra sorte, metidos na sepultura. Se nada oferecessem, os da família, seriam interpretados como alegrando-se com a morte do extinto? Parece que sim.
É que também de lá, da outra banda, o morto ainda pode fazer mal aos que cá ficam!...
Exteriormente o caixão será revestido de cobertores ou panos até esconderem toda a madeira.
Com facilidade se reconhece, nos caixões dos cristãos, uma cruz feita do mesmo pano ou cobertor que envolve as tábuas.
Guardam hoje a lei das 24 horas. Passadas elas lá o levam a enterrar. Como em toda a parte, a dignidade do extinto ou a influência da família torna o acompanhamento mais ou menos numeroso.
Quatro homens - às vezes mais - pegam ao caixão. Seguram nas pontas de dois paus suficientemente fortes, colocados por baixo do caixão, um junto à cabeceira e outro para o lado dos pés.
Caixões de criancinhas muitas vezes os vimos serem levados à cabeça do pai.
Em outros tempos já afastados os funerais dos mais nobres revestiam-se de um aparato sem igual. Era verdadeira festa a roçar pela orgia.
Cantar, dançar, comer, beber em honra do morto era a melhor forma de o contentar e de fazer com que não venha fazer mal aos que ficam.
É que, conta e descreve Mons. J. Cuvelier, «quando morria um homem, a alma ficava separada do corpo. Esta separação durava enquanto o cadáver não era enterrado. A alma ficava junto do corpo para ver o que os membros da família e do clã faziam».
(J. Cuvelier, op. cit., pág. 114.)
Por que não era enterrado logo, necessário se tornava guardar e conservar o cadáver.
Para isso, ao centro da casa, abria-se uma cova de perto de dois metros de comprimento, por dois de fundo e um de largura.
A uns 60 centímetros do fundo, eram atravessados uns paus, horizontalmente, a fazerem de grelha. Em cima deles estendia-se um luandu e uma esteira. Aí se depositava o morto embrulhado nos cobertores. Quase à superfície colocava-se uma nova fila de paus, mais um luandu e uma esteira, cobrindo-se tudo com terra até ficar nivelada com o chão da casa.
Fazia-se, então, fogo por cima. Fogo aos pés e até ao peito.
Pelos maiorais da terra eram nomeados dois ou três homens que ficavam encarregados de manter aquele fogo dia e noite.
Eram os Ngulu-Nfumu.
Passados tempos este costume da cova desapareceu. Era o morto, então, colocado numa espécie de cama de pernas altas. O fogo era feito por baixo dessa cama-grade a que chamavam Kialata (pl. Bialata).
Outros usavam suspender o morto, horizontalmente, numa árvore fazendo-lhe o fogo por baixo.
Mas o costume mais conservado foi o da Kialata.
Procuravam defumar, antes aquecer e derreter pela acção do fogo, o morto e não o queimar, Logo que a acção do calor começava a derreter o cadáver, havia o cuidado de, com qualquer lata ou recipiente, recolher essa «banha» e derramá-la novamente sobre a parte superior dos cobertores que envolviam o morto. Nunca faltavam, em qualquer dos casos - cova ou kialata - os Ngulu-Nfumu.
Todos os dias e pelo meio dia um deles pintava com tukula o cobertor superior que envolvia o cadáver.
Este acto era anunciado a toda a aldeia pelo toque do ngongie - espécie de tímbalo de duas bocas.
O bula-ngongie - tocador de ngongie - locava a 1. vez para avisar. A segunda ninguém se poderia mexer do lugar ou posição em que o toque o apanhasse, até terminar a pintadela de tukula anunciada por um 3.1 toque.
Quem se mudasse ou falasse pagava uma multa. Havia para isso um encarregado de vigiar as pessoas. Era o mankaka, espécie de policia.
Depois do toque que anunciava o termo da pintadela voltava-se à vida normal.
Junto do cadáver estavam sempre as mulheres do defunto, as carpideiras e outras. No pranto perpassava toda a vida do morto.
Entretanto a família junta e prepara o que é necessário para o funeral. Enquanto se não realizava, o defunto ficava no «defumeiro». Lá podia ficar semanas, meses e até anos...
O Rei de Kakongo, morto em 1874, só foi enterrado em 1881!...
(Cf. Portugal em África, 1.8 série, ano 1896, pág. 116).
Juntam-se as bebidas, aguardente, vinhos licorosos, vinho comum, vinho de palma, etc., etc., e mais tudo o que vai ser necessário para as refeições de toda a gente no dia ou dias do funeral.
Chegavam a ir ao Ambriz, Luanda e até Benguela comprar as fazendas, bebidas, etc. para o funeral. O dinheiro para tudo isto vinha de parentes e aliados.
São serradas inúmeras tábuas e começa-se a construir o carro monstro que levará o caixão do morto.
De grossos paus faziam-se as rodas para o carro que levaria o caixão e os maiorais. Era ordinariamente de seis rodas, três de cada lado.
Pronto o carro e o mais, marca-se o dia do enterro.
Seria, por certo, no tempo do cacimbo, época em que o vinho é melhor e mais abundante - e todo é pouco! em que as terras estão secas e não haverá chuva a transtornar e dificultar o cortejo fúnebre.
Ê capinada, em linha recta e da largura do carro, toda a distância que vai da casa do morto à cova onde será enterrado.
E os grandes não vão para um cemitério comum. Escolhe-se um lugar especial. Já dissemos atrás que pode ter-se por muito provável que era em nome - do Nkisi-Nsi que se reservavam cemitérios especiais para os grandes chefes.
Organiza-se o cortejo. Os Zindunga, onde os havia, eram convidados e nunca faltavam. Não podiam mesmo faltar. Não comandam, regulam e vigiam o cumprimento das leis em nome do Nkisi-Nsi?
O morto, embrulhado naquela infinidade de cobertores, é metido num caixão, imagine-se o tamanho, e com mais ou menos feitios, segundo a dignidade do falecido. Por isso se diz: Lukata lumatumbi lumatatu: fumu ikanda - Caixão com três proeminências (feitios): caixão de chefe de família (rica, numerosa, poderosa).
A madeira do carro é coberta, totalmente, por cobertores e panos. Colocava-se o caixão no meio do carro, numa espécie de palanquim que tudo dominava.
No carro sentam-se os grandes da terra e os locadores.
Tem espaço para todos eles e ainda fica algum lugar para alguns rapazes novos dançarem.
No dia marcado eram os da terra os primeiros a arrastar o caixão. É puxado por umas quatro cordas, grossas lianas da floresta, levando em cada uma de 8 a 10 homens. Só para arrastar o carro... de 32 a 40 homens. Pode fazer-se ideia do tamanho e peso.
No dia seguinte começava a ser puxado pelos outros e por turnos até ao local onde se faria o enterramento.
Podia levar dois a três dias. Paravam com frequência para comer, beber e dançar por longas horas.
De noite havia sempre danças no local onde se parará o féretro. Todos, mas especialmente as mulheres, apresentavam-se com o melhor que tinham. Havia danças guerreiras, Os que nelas tomavam parte apresentavam-se em atitudes ameaçadoras. Com essas danças guerreiras pretendiam afugentar os espíritos maus, os bandoki.
O caminho aberto para a passagem do féretro chamava-se SAMBI.
As danças guerreiras, SANGA (estas danças passaram para as festas do MPOLO)
O arrastar do caixão, KOKA.
Os tocadores:
Ao meio, em primeiro plano, vão os tocadores de tambor, espécie de bombo - são os Basiki basiku.
Depois vêm os tocadores dos «marfins» (4 ou 6), os Bakama Banfumu. Segue o tocador de ngongie, o Bula Ngongie.
Vêm, em seguida, os tocadores de Katangala, espécie de caixa.
A frente do cortejo vão três bandeiras: uma de pano preto, outra vermelha e a terceira branca. A de preto, a do luto, vai ao meio. A esquerda, abaixo das outras, vai a bandeira vermelha, a da guerra.
A dominar vai a branca, a bandeira da paz.
Entre estas bandeiras e o carro seque toda a gente do povo e os que vieram ao enterro, tudo misturado, cantando e dançando.
Ainda atrás dos porta-bandeiras seguiam dois homens armados de espadas e tendo embrulhado à cinta um pano que deixava uma longa cauda de 2 a 3 metros. Eram os Mankaka, polícias.
Outros Mankaka, armados de espingardas, seguem ao lado do cortejo em atitudes ameaçadoras - ainda para espantar os bandoki e disparando de quando em quando.
Referindo-se a estes enterros no Ngoyo , J. Fernandes dizia: a alta posição do morto é que determinava a grandeza e magnificência das cerimónias que resultavam imponentes. Viam-se filas de tipóias em que eram conduzidos Príncipes e Princesas, titulares e Governadores de diversas terras (Nfumu-Nsi) tudo num deslumbrante conjunto de vestes, as mais variadas em cores e feitios. A ajuntar a tudo isso, ouviam-se os toques de mungi, ndungu-lingama, kula, cornetas, buzinas, mbuebo, baka, apitos, e isto no acompanhamento dos altos cânticos dos cordões de homens que iam puxando o caixão, em cuja varanda iam os que mandavam e dirigiam toda aquela manobra.
Na véspera da chegada do cortejo ao lugar em que o morto será enterrado, começa-se a abrir a cova. Uns dançam enquanto os outros cavam. Mas tanto os que trabalham como os que dançam, de vez em quando, param o trabalho e dança para comer, e beber...
Estão, uns e outros, besuntados com a terra da sepultura e só poderão tomar banho depois do enterro.
Tudo pronto chega o carro. É colocado por cima da cova. Por uma abertura que existe no meio do estrado do carro, é descido o caixão. Cobre-se a sepultura e ali fica o carro a atestar a grandeza do morto. Enterrado este, dança-se, come-se e bebe-se à volta da cova até pela manhã.
Em tempos muito arredados as mulheres do finado eram enterradas vivas na mesma cova. Para lá iam para lhe fazerem companhia e a comida além-túmulo!

«Com o cadáver, diz J. Cuvelier, enterravam mulheres e escravos que na outra vida deviam servir o defunto, levar água, lenha, comida ... »

Não se procedeu, mais ou menos assim, em 1881, quando foi enterrado o Rei de Kakongo? (Cf. Portugal em África -1.a Série-1896).
Não deixa de ter interesse o comparar estes «usos e costumes» de Kakongo e Ngoyo com o que se lê em A Bíblia tinha razão, quando se fala das tumbas Reais de UR.
«... No interior das câmaras tumulares puderam verificar a presença de autênticas juntas de bois: os esqueletos de animais de tracção estavam ainda jungidos aos carros cheios de artísticos utensílios caseiros (o traçado é nosso). Era evidente que todo o séquito do funeral tinha seguido os magnates no caminho da morte, como davam a entender os esqueletos festivamente vestidos e carregados de adornos que os rodeavam. A tumba de Lady SHUB-ad continha vinte cadáveres. Noutras apareceram mais de setenta.
... Nenhum vestígio demonstrava que os homens tivessem morte violenta. Os respectivos séquitos parecem ter seguido os seus defuntos soberanos em caravana festiva, com os bois jungidos aos carros portadores dos tesouros dos defuntos ... »
( Werner Keller, A Bíblia tinha' razão, trad. de Vasco, Mirando, Ed. Livros do Brasil, Lisboa, pág. 32.)
Também entre os Bakongo, Bauoio, Balinge, etc., etc., são deixados, sobre os túmulos, objectos que serviam em vida ao falecido, v. g. bacias, jarros, potes, e até, por vezes, camas de ferro...
Os grandes de Cabinda possuíam, desde o tempo da permuta com os europeus, óptimas coisas que lhes eram oferecidas como prémio ou em paga de escravos fornecidos. Por outro lado, sendo as gentes do litoral do País de Cabinda muito viajadas a bordo de barcos, adquiriam magníficas coisas por onde passavam, especialmente loiça.
Também as compravam nos estabelecimentos comerciais portugueses, ingleses e holandeses.
Essas loiças iam, muitíssimas vezes, parar à sepultura de seus donos agora enterrados. Para lhes servir do outro lado?
Mas, para não servirem aos vivos, desbeiçavam essa loiça ou lhe quebravam as asas ou as furavam.
...diz J. Cuvelier, a morte de um homem apresentava-se aos sobreviventes como uma ameaça. Ele podia vir, conforme se pensava, a uma casa buscar um objecto, e algumas vezes falar e mostrarse. Por isso colocavam sobre as campas, para uso dos mortos: frascos, potes, bacias, garrafas, pratos, Copos...
(J. Cuvelier, op. cit., pág. 114. )
Esta consideração, veneração pelos mortos, misturada não com pouco temor, ainda se manifesta nos dias de hoje pela prática do NUIKINA BAKULU, o dar de beber aos velhos já falecidos.
Para isso levam ao cemitério, sobretudo em dias de grandes festas anuais - Natal, Ano Novo, aniversário do falecimento - bebidas, v. g. aguardente, bagaceira, vinho tinto e até vinho de palma, e derramam-nas nas campas dos seus velhos falecidos.
Fazem ordinariamente um buraco na campa e por ele vazam as bebidas que trouxeram.
É tudo para o morto ou mortos. Eles nada devem beber, os que vão dar de beber aos seus maiores já mortos, do que levam.
...Uma grande parte das pessoas que tomaram parte no funeral voltava à aldeia, ao local onde se dera a morte do que fora a enterrar. E aí, durante a noite e até ao dia seguinte, se entregavam à dança, aos comes e bebes.
Tudo realizado, « ficavam os membros da família com a consciência plena do dever cumprido».
Pode-se imaginar, pois, o quanto sa exigia de gastos para se fazer tal enterro. E compreende-se por isso o tempo que os mortos tinham de ficar no «defumadoiro» até que se juntasse, tudo o que era necessário para o funeral.
Grande parte de toda esta grandeza e gastos, depois da lei das 24 horas para enterro, são feitos na festa do MPOLO ou NZIMBU.
Esta espécie de funerais tanto se fazia a indivíduos do sexo masculino como do feminino, contanto que tivessem posses e fossem grandes da terra.
...As mulheres da aldeia que se juntam em redor do morto, ao mesmo tempo que acompanham o canto lúgubre e chorado, para não perderem todo o tempo, vão descascando amendoim, partindo coconote, migando folhas de mandioca, etc., etc.
As esposas, nos três dias seguintes à morte do marido, dormem na terra nua. Passam o tempo a chorar. Não lavam a cara, mas só os dentes e os olhos.
No dia do enterro do marido, um cunhado ou cunhada rapa-lhe o cabelo da cabeça. Assim devia ficar, sem mais o cortar, até quase ao levantar do luto, um ano depois.
Para que a viuva possa voltar a cortar o cabelo é preciso que a família do marido lhe pague dois panos e uma blusa preta. Se lhe não pagassem teria de ficar sempre sem cortar o cabelo.
É também só depois disto, do corte do cabelo, que será para o fim do luto, que poderá começar a pensar em arranjar outro homem, se quiser. Se procurar marido antes, terá de responder perante a família do marido falecido e não lhe perdoarão facilmente sem pagamento de multa.
Já muito depois de termos escrito o que aí fica sobre mortos e funerais, fomos encontrar em Portugal de Á frica, 1.a Série, 1896, na Chronica das Missões - Missão de Landana, a descrição seguinte:
« No entretanto, fazem-se os últimos serviços ao defunto; tosquiam-lhe a cabeça e limpam-lhe as unhas das mãos e dos pés.
Assim o exigem os costumes. Enterrar alguém sem estas prévias formalidades seria uma grande vergonha para a povoação.
Depois de bem lavado o cadáver, vazam-lhe as entranhas; em seguida, acendendo por debaixo d'elle um fogo brando mas contínuo, que deita um fumo excessivamente espesso, começam a seca-lo como pergaminho. Assim que está suficientemente defumado, cobrem-no de uma camada de terra vermelha e expõem-no ao ar durante alguns dias, ficando ao lado d'elle uma ou duas pessoas com o único fim de enxotar as moscas. Quando o cadáver está completamente seco, envolvem-no numa prodigiosa quantidade de fazendas. Avalia-se a riqueza dos herdeiros pela qualidade dos estofos e o seu afecto pela morto, pela grossura do rolo. Os cadáveres dos grandes chegam a atingir oito ou nove metros de circunferência.
Expõe-se a múmia assim vestida em uma cabana especial, onde fica mais ou menos tempo, conforme a posição social que o finado ocupava.»
Em sinal de luto, em outros clãs, pintam a cara com negro de fumo tirado das panelas ou com a casca queimada, semelhante a cortiça, do kilolo-kintandu - Anonna arenaria.
Havia quem pintasse somente a ponta do nariz. Conhecemos uma mulher, da aldeia de S. João do Lukula, que, dois anos depois da morte do marido, ainda pintava o nariz em sinal de luto.
A gente do clã desta aldeia - basundí - tinha ainda outros usos, como o seguinte: Morrendo o homem, a mulher fazia uma pequena rodilha que amarrava ao fio que trazia à cintura - lukietu.
No dia do enterro enche de água uma pequena cabaça - Kisasava - e toma um pequeno mutete - pequenito cesto - onde coloca a cabaça com água. Acompanha um pouco o féretro quando o morto vai a enterrar; tira a nka-kata, a rodilha, do lukietu e coloca-a por cima do caixão. A cabeça leva o tal mutete com a cabaça. Com uma sacudidela de cabeça - kulumba - atira ao - chão o mutete e a cabacita. Volta-se de costas para o defunto e vai, então, banhar-se.
Logo após o enterro, ou poucos dias depois, e isto ainda em toda a parte, todos os parentes se reúnem para que o pai, mãe, esposa ou marido ou tios, isto é, o mais próximo responsável pelo defunto, diga e prove se sim ou não fez todos os possíveis e procurou todos os meios aconselháveis para evitar a morte.
Em certos clãs, morrendo a mulher, a família desta era obrigada a devolver todo o zimbongo zimakuela, sobretudo se não ficaram filhos e não há cunhada que deseje casar com o viúvo.
Entre noivos ou - comprometidos já com o casamento, falecendo a noiva, a família da rapariga é obrigada a devolver ao rapaz tudo quanto dele recebeu.
Durante um mês, ou ainda mais, de manhã e à noite, a família, sobretudo a parte feminina, pranteava oficialmente o falecido. Guarda-se luto pelo cônjuge falecido ou pelos pais um ano inteiro.
Os homens usam já o fumo no braço e no chapéu ou capacete.
As mulheres usam panos pretos ou bastante escuros, com flores ou pintas pretas e escuras.
Em certas regiões conhece-se se alguma mulher anda de luto vendo que trás o pano a tiracolo e seguro com um nó, dado por cima do ombro esquerdo.
Vimos outras que indicavam andar de luto amarrando em volta da testa uma banda de pano - ntanta mambudi.
A viúva, passado o tempo de luto, no aniversário da morte do marido, veste-se de panos novos e berrantes. Nesse dia de aniversário, o primeiro, faz-se sempre uma festa maior ou menor.
Se a viúva não passou à posse de seu cunhado mais velho, torna-se livre para procurar pretendente ou para seguir a vida de metretriz - ndumba.
Os funerais dos católicos têm, tanto quanto possível, a presença do sacerdote ou, pelo menos, sendo em aldeias distantes, a do catequista da aldeia.
Sequem para o cemitério em grande compostura. Rezam.
Nos enterros presididos pelo sacerdote, mesmo depois de benzida e aspergida a sepultura, não deixavam de apanhar a caldeirinha e enfiar com toda a água dentro da cova...
Depositado o morto na cova, cada um dos assistentes deita, sem excepção, um punhado de terra sobre o caixão. Pudemos ver isto todas as vezes que presidimos a funerais na Missão do Lukula.
Em Olumbali do Distrito de Moçâmedes, Lopes Cardoso escreve também a respeito desses povos: "Colocado o caixão', cada um dos presentes atira um punhado de terra para cima dele, em despedida"
Na Missão de Cabinda, no primeiro aniversário do falecimento de alguém, é raro não haver, por alma do defunto, missa cantada de Réquiem e procissão ao cemitério.
E acaba-se assim o luto nesse dia. Não é, nos tempos de agora, por funerais com carros, cobertores sem número, comidas e bebidas na altura do enterro que se procura mostrar a dignidade e riqueza dos mortos e de suas famílias. É, sim,' pelas festas de MPOLO - de cada vez mais raras-e pelas artísticas, e caras, sepulturas sobre as campas dos grandes senhores. Entre seis a oito contos ficam agora essas sepulturas.
As festas de MPOLO também não ficam baratas, mas certamente que o são muito menos do que as festas dos antigos funerais.